sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Do Mirador Ausangatec a Cusco

                                       Quinta-feira, 08 de Outubro de 2009


      Tivemos a pior noite de nossas vida. Eu e Jeronymo passamos a madrugada toda com dor de cabeça e um frio indescritível. No meio do nada! A temperatura baixou para 3 graus !!! Às 05:30 já não aguentávamos mais  e então levantamos para ir embora dali o quanto antes.
      O Cruzador não ligou! O motor praticamente CONGELOU! 
      Tentamos de tudo! Tinner, spray com fogo, nosso oxigênio, e nada. Depois de 2 horas começamos a jogar água quente no motor, o Jeronymo com a mangueira engatada na torneira da pia que tem água quente e eu fervendo água em várias panelas no fogo. Mais meia hora e pimba, ligou!!! Que sufoco! E para ajudar, era feriado neste dia - não sabíamos -  e a lanchonete não ia abrir. Mas conseguimos e deu tudo certo!
      Às 9:50, depois de um café da manhã bem reconfortante, conseguimos sair. 
      Esta Cordilheira Vilcanota, onde está o monte nevado Ausangatec, é a mais representativa para os peruanos e a mais alta do país., com 6372 msnm. 
      Saindo em direção a Cusco, subimos até 4201 msnm em 5 km e depois voltamos a descer durante 25 km, até chegar a 3140msnm, em Urcos, uma cidade próxima à Cusco. Uma região linda, verde, fértil.
      Paramos em Saylla, já bem pertinho de Cusco,  para comer um Chicharon, um prato feito com carne de porco, batatas fritas, torresmo e uma especie de milho - grande - que tem aqui.
      Enfim Cusco!  A 3306 msnm.
      Chegamos às 13:00, com 21538 km e depois de algumas horas procurando um lugar para consertar o rodoar. Encontramos um lugar super legal. Resolvido!
      Cusco foi uma agradável surpresa. Pensávamos que íamos encontrar um lugar, como comentavam algumas pessoas na internet, pequeninho, sujo, sem progresso algum. Mas não! É uma cidade de meio milhão de habitantes, enorme, bem desenvolvida. Conta com um bom centro comercial .
      Nos hospedamos na garagem privada do Club Hotel, próxino ao Centro de Convenções, no bairro Wanchaq, indicado pelo Maurício de Rio branco. Um achado. Aqui sim é o paraíso. Fomos recebidos com educação, gentileza e muita presteza, que aliás, são algumas das qualidades dos peruanos. Instalamos aqui o nosso Cruzador e tiramos a tarde para descansar, lavar roupa, limpar a casa e dormir muito, pois ainda sentimos muito os sintomas da altitude: enjôo, dor de cabeça e muito cansaço.
  
Detalhe:
   -  O peruano adora uma buzina. Ele buzina pra tudo e a todo momento. O trânsito aqui é um pouco melhor que o da Índia, muito maluco, muito carro e ruas que se cruzam o tempo todo.
   -  O caminho que fizemos do mirador até Urcos, só tem 25 km e é fantástico. Lindo.

                            












Dispensam comentários...      


               
Urcos vista de cima





Já pertinho de Cusco





Vimos esta placa pelo menos a cada 3 km até agora!

























Isto é um torresmo delicioso




Este é o Chicharron




Distrito San Jeronimo, em homenagem ao meu marido           









Entrada de Cusco, é um Condor




Uma parte do jardim do hotel em Cusco onde nos hospedamos...na garagem!




             Meus novos amigos, A Sessé, uma labradora linda e o Rambo, um Rotteweiler gigante.          
 


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Marcapata a Ausangatec Hatun Pukaran

                                                    Quarta-feira, 07 de Outubro de 2009


      Só temos que agradecer a Deus por esta viagem maravilhosa. E agradecer também pela oportunidade de podermos ver e viver um lugar como este! " Deus é incrível!"
      Fizemos uma viagem, na virada do milênio, com uma turma espetacular, para Ushuaia, sul da Argentina e, até ontem, não parávamos de lembrar e falar sobre ela. E foi a 9 anos atrás e durou 40 dias. Imaginem como será com essa que durará em torno de 100.
      Nem todos os adjetivos do Mestre Aurélio, nem a melhor redação, nem a mais potente câmera fotográfica do mundo é capaz de traduzir o que estamos vendo e sentindo ao vermos esta paisagem...surreal!
     E como ontem eu estava citando sobre os prós e contras desta estrada, mais um ponto positivo: ela permite que todos possam viver essa emoção . Permite a nossa passagem por dentro da Cordilheira. É fabuloso!!!
      Saimos de Marcapata às 05:30 ( é verdade, acordamos às 4:30 ) pois queríamos ver o "monte nevado" bem cedo, sem nuvens  ( e vimos! ) e porque fecham a estrada em determinado trecho. Tem hora pra passar ali. A temperatura estava em torno de 10 graus dentro do carro ( aliás, toda temperatura que eu passar, terá sido monitorada de dentro do Cruzador ).
      Ainda rodamos no rípio ( nosso cascalho ), por mais 7 km, depois começa o asfalto novo. E também começa a subir, subir, subir..., paramos a 4040 msnm para pegarmos água em uma nascente que brota de dentro da rocha - aqui no Peru é comum  em altas altitudes, ter água no alto das montanhas, por isso é bem comum vermos comunidades bem lá no alto - e esta nascente estava aos pés do monte nevado. Água pura, cristalina, e deliciosa ( dizem os químicos que água não tem sabor. Ah, tem sim! ). Ficamos ali por umas 2 horas, foram chegando campesinos ( moradores das comunidades ao redor ) e funcionários da construção da estrada ( também de comunidades próximas ) e claro, fiz todas as perguntas necessárias às minhas curiosidades. Senti que as  pessoas nesta altitude são muito carentes. Carentes de atenção, de alguém que pare e as ouça, de conversar com gente diferente delas, de outro mundo! Carentes de coisas materiais então, sem se fala! Trouxemos alguns presentes para crianças, mas para adultos, e principalmente, para as mulheres não. Uma lástima! Elas pedem de tudo, o tempo todo, em todas as nossas paradas. Pedem desde dinheiro até hidratante ( um sonho para elas, dá dó de ver o quanto têm a pele das mãos e pés ressecados ), batom  pois seus lábios racham muito, pente de cabelo, qualquer coisinha para elas é um valioso presente. Reclamam do trabalho exaustivo na altitude, sentem-se muito cansadas e desvalorizadas. Reclamam dos homens da obra que se enamoram delas, prometem tirá-las dali, elas engravidam e eles somem. Mulheres de 19 a 25 anos  chegam a ter 3 a 4 filhos de pais diferentes. Uma lástima maior ainda!
      Bem, seguimos nosso caminho. Subindo sempre, claro!
      Chegamos a altitude máxima de 4786 msnm ( metros sobre o nível do mar ), bem diante do monte nevado - ainda não sabemos seu nome-, imponente! Mas adiante encontramos um ciclista francês solitário, de shorts e camiseta. Ele só ia até o outro lado da Cordilheira dos Andes, seu sonho era atravessá-la. E nós usando oxigênio a toda hora.
      Paramos em Ocongate para descansar. Descemos para 3520 msnm. Eu estava com muita dor de cabeça e Jeronymo com muito sono. Hoje estávamos "tudo muito": muita dor, muito sono, muito enjôo... Seguindo, rodamos por 7 km dentro de um cânion de não mais de 200 m de largura e talvez uns 150 m de altura, lindo. Super diferente! Ele vai então se abrindo para um enorme  vale fértil e cheio e plantações de cevada e papas ( uma espécie de ervilha ) e fazem artesanatos de lã de Alpaca. E ainda criam suas ovelhinhas, suas vaquinhas, seus carneirinhos - falo no diminutivo porque é muito engraçado que as pessoas aqui são pequenininhas e seus animais também!
      Voltamos a subir, dessa vez chegamos a 3889 msnm e paramos num abençoado mirante. Se encontra na latitude  W 136154  e longitude  S 715726 , 34 km depois de Ocongate para quem vem de Puerto Maldonado.  O Ausangatec Hatun Pukaran - não conseguimos descobrir o que significa, mas descobrimos que esse é o nome do monte nevado! - e ali resolvemos que seria nosso oásis por esta noite. Esse lugar, que funciona realmente como um oásis no meio do nada, é uma iniciativa da Odebrecht ( construtora da estrada ) para proporcionar aos campesinos um extra na renda familiar. A empresa levou até eles, por 6 meses, profissionais da área de alimentação, atendimento ao turista, higiene pessoal e pelo local e até decoradores para ensinar-lhes como decorar "seus" restaurantes, sim porque toda a renda do local é voltada para os campesinos. Porque? Porque a estrada passa bem no meio de suas propriedades! E ainda receberão salários por 2 anos até que o fluxo de turismo ali esteja consolidado! Ah, e existem mais alguns projetos como este para outros pontos da estrada.
      A comida é maravilhosa, o lugar é extremamente limpo e o atendimento é nota dez! Afinal, tirando o jantar em Puerto Maldonado, que também era um tanto duvidoso, não se pode, nem se deve comer e beber em nenhum outro lugar que não seja em seu próprio carro. Todos os lugares por onde passamos são extremamente sujos. Deve-se trazer bastante lanche e bebida para não passar fome...ou mal!
      Anoiteceu, todos foram embora e nós ficamos baseados ali, no meio do nada e de ninguém. Ventava muito e o frio de 5 graus às 18:30 nos avisava como seria a madrugada. Fomos para debaixo dos 4 cobertores, usando cada um 2 meias de lã, 2 blusas de frio de lã, 2 calças de lã, luvas e gorros, às 19:00. Para tentar sobreviver àquela noite.


Detalhe:
   -  O Jeronymo aconselha a ter buzina a ar no carro, porque as estradas são em forma de "U" e os motoristas locais são bem imprudentes.
   -  Até aqui, tivemos em 650 km rodados no Peru, 110 km  de estrada inacabada, ainda de rípio. Porém em excelentes condições.





Logo na saída de marcapata               










Cemitério                                     












Essacomunidade está muito acima da estrada, bem alta!








É realmente necessário                         




Virei freguesa                            




Às vezes só existe uma casa, e é uma zona urbana       




Aqui sim, é uma zona urbana, uma comunidade!




As cores das montanhas




Olha o "Monte Nevado" aí




Este é o meu marido!                               












Esta campesina nos pediu  5 soles pela fotografia. Mas nos deu de presente.    




Uma pastora vigiando suas ovelhas








Mirante Ausangatec                                            




Restaurante do Mirante e o Sr. Antônio me servindo     






     
  
     
         

     

sábado, 10 de outubro de 2009

Quincemil a Marcapata

                                         
                                             Terça-feira, 06 de outubro de 2009


      Hoje é um dia muito especial, é o aniversário do meu amado irmão Marcelo. Téo, que Nossa Senhora do Carmo te abençôe e te ilumine a sua vida inteira. Te Amo muito!
      
      Saimos de Quincemil às 04:00 da manhã....um frio de rachar! E quase amanhecendo. isso para não ficarmos presos na "tranquera" mais a frente. Ela fecharia às 06:00. A construção da estrada segue pesada até Marcapata. Aqui você não se sente sozinho na estrada, pois além das centenas de caminhões que cruzam por você durante o dia, há também o funcionários da obra que estão por toda a parte. Nos dá até uma certa segurança.
      É uma obra fantástica, de um empenho gigantesco. Impressiona a grandiosidade da engenharia. E a paisagem é linda!
      Mas existem falhas.
      As comunidades campesinas ficaram na beira da estrada. Vimos algumas casas abandonadas ( acreditamos que por causa da assustadora proximidade com a estrada ). Lugares que antes eram plantações  agora tem pedras. Alguns trechos dos rios foram desviados ou cobertos por pedras e houveram desmatamento de encostas. Enfim, se os órgãos de meio ambiente de Porto Seguro estivessem aqui, seguramente  esta obra  estaria interditada.
      Observamos também um grande número de crianças na faixa de 6 meses a 3 anos ( coincidentemente a obra começou neste período......).
      Mas por outro lado, ela também trouxe benefícios: além de empregar milhares de peruanos, dando preferência, quando possível, para que cada trabalhador permanecesse próximo à sua residência. Abriu caminho onde antes só existia trilha, assim beneficiou pequenas comunidades permitindo que chegassem até eles escola, postos de saúde e uma melhor atenção por parte do governo, que diga-se de passagem, preza a educação no país.
      E ainda há o lado turístico. Se antes alguns poucos viajantes já se aventuravam por essas bandas, agora com a estrada, o turismo certamente estará garantido.
      Chegamos à Marcapata às 11:00. Cedo, poderíamos seguir mais um pouco, mas estamos muito cansados ( passear também cansa! ) e faz muito, muito frio! Estamos a 3129 msnm, essa altitude nos deixou cansados e eu estou com muita dor de cabeça ( sintomas normais na altitude para quem não está acostumado ). Almoçamos em casa e dormimos até às 15:00, depois fomos conhecer as Águas Termais...., por favor, nem queiram conhecer, é horrível, suja, imunda. realmente não vale a pena. Marcapata  foi para nós, somente um ponto de descanso e uma tentativa de acostumar o organismo à altitude.
Nosso porto é a Plaza de Armas, fizemos amizade com os policiais, as professoras e alguns campesinos. Muito interessante ouvi-los. Distribuimos alguns "regalos" para as crianças e fomos dormir às 19:30 sob um frio de 8 graus e  muito vento .Sem comunicação com a família desde sábado!

Detalhes:
   - Hoje rodamos 69 km em 7 horas. Na verdade ficamos parador por 2 horas, então rodamos exatamente 5 horas.





Logo na saída de Quincemil                             





Isto é uma ponte que a constutora fez. Muito interessante, a água passa entre as pedras para o outro lado.




Meu marido é querido em toda parte. Aqui, querem-no para prefeito!          




Este veículo transporta combustível...e gente, e mudança, e porco, e ovelha, e criança e corre muiiittttooo!



Hora de acionar as nadadeiras!



Olha aí o desmatamento na encosta. Eses holofonetes são para iluminar o trabalho durante toda a madrugada.




Algumas comunidades foram partidas ao meio.





Visuais incríveis



O Cruzador transpõe até pedras!



Observe o zigue-zague da estrada



Acampamento da empresa



Estrada super perigosa



Olha onde estávamos e ainda há quase o mesmo tanto



Todos temos que parar e refletir sobre o que estamos fazendo...



Na Plaza de Armas de Marcapata. Assim os bebês são carregados no Peru. E observem nas bochechas queimadas de sol.




Mãe e filha pela rua                                                





O que se vê lá de cima de Marcapata                             




Igreja de São Francisco de Assis. Interessante, os campesinos fazem suas necessidades ( básicas ), ali ao redor dela.




Caminho para as Águas termais. É só o que vale a pena: o que se vê no caminho!




Uma casa sendo construida. Repare na largura da parede e no tipo do bloco de barro.




Essa cena foi demais. 29 homens se juntaram para mover um poste de um lugar para outro. E um caminhão munido com um munck, passando pra lá e pra cá.